Lançamento do Livro

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Gente, lançamento do meu livro enfim! Quem for do Rio, quem for de Niterói e vier falando: te conheço pelo Blog… Vai ganhar um prêmio surpresa que eu não decidi ainda, mas que vai ser excelente!

=)

[e quem for de outro estado, mande um e-mail pra mim: jdcrespo.dd@gmail.com que eu mando o livro [aliás, ele custa 25 reais, eu pago o frete!]

Um beijo na alma de todos vocês!
 

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Uma outra versão daquele jogo (dos espíritos)

 
os semáforos são uma garota sozinha
e eu digo para ligarem para minha familia
digam para me procurar outro dia,
eu me perdi hoje

eu sempre achei que se eu te segurasse direito…

partir um coração não é difícil afinal,
quero destruir o lugar
você tenta dizer alguma coisa para ela
sério, sua função será essa a partir de agora
para andar no meio dessa guerra
fico me escondendo nas luzes das cidades grandes

que o seu olhar seja mais forte que sua voz,
não importa,
tento partir seu coração,
o movimento das mãos pequenas
me enche de raiva e
as memórias torcem e distorcem
quero segurar sua mão num clichê apocalípitico
sinto isso sempre que vejo seu rosto
com ecos que pertencem
a um aquário maior do que deveria ser

vamos fingir que nos conhecemos ontem
você precisa saber

porque a verdade é um olho confuso
quero deslizar por esses olhos castanhos
sonhando

ou então só deixar pra lá
eu não consigo explicar
é, eu estou perdido
eu troquei tantas vezes as peças de lugar
que elas terminaram justamente no mesmo lugar

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A verdade não tenta quebrar uma câmera

 
você estava com razão quando disse o que disse
mas não, saber disso não importa,
nem amar a mim como você fez há um tempo atrás,
que ecos pertencem a esse lugar
tento contar, mas o jeito que você trata a menina…
tira o bandaid que eu não acredito em dor
eu contei os dias
e, por favor, ligue para minha família
e não eu não perdi a conta
eu quebrei a camera, quebrei o celular
mas eu contei
e então caí no sono e a cidade grande foi meu sonho
preciso de uma câmera para o meu olho
você não pode deixar a menina em paz?

que mentiras eu tenho escondido,
ela nunca quis te machucar
e o tremor dos ossos dela por baixo
do meu olho, lembrando
minha garota tem um coração de pedra
coração sem ação que sei de cor

não importa mais,
eu estaria mentindo se dissesse que não foi fácil
quero saber por que
responde com o que você tem
e segure-se
eu também vou dizer tudo
que mentiras eu venho escondendo
 

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Cheiro de bala de maçã verde – Humano – Prof. Dr. Me. Exmo.

 
Juuichi; o desígnio de um design:
Listras brancas e um grito mudo:
Aquela lista com todos os nomes:
O conflito da existência:
A existência do conflito:
Um futuro ficando para trás:
Quando astronauta volta a superfície:
Jogador de futebol, bailarina:
Cantor, deputado, Nietzche²:
A encruzilhada tem várias pistas:
Incrivelmente não há horizonte:
O mundo é um corpo:
O corpo é um mundo:
Não tem outro corpo nem outro mundo:
Eu quero ver tudo desses dois:
Meias verdes, o preço do petróleo; Juuni
 

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öö

Mercado de Pulgas/Flohmarkt zum Dom – Köln

Milch Mädchen ♥

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ö

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Transtorno Sintagmático-Obsessivo

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Se Maomé não vai a montanha,
ele a vê na televisão, na internet, lê livro de pessoas que lá estiveram
e vê filmes em que a tal montanha aparece.

O pássaro belo azul fugiu do ontem gaiola,
do exército de implacáveis inimigos em si mesmo.
O gato, o que era pronome após a vírgula, foi junto num ato de rebeldia inocente
da qual apenas os animais domésticos são capazes de possuir.

O pássaro seguiu um rumo tortuoso de muitos capítulos em dois volumes
- tinha um problema com moinhos de vento e animais monoglotas.
O gato não se perdeu assim; era mais pata no chão,
reclamava dos políticos corruptos e dos corruptos políticos:
dizia que estavam sempre vacilando.

Correu e pulou atrás de alguém com algo para ele.
Um orador que apesar das orações que construía não orava – mais: um jovem especialista jovem.
O gato perguntou sobre propriedade (o que os humanos separam de forma bem pouco inteligente),
sobre direito (quem faz as leis pensa em si e ajuda quem gosta e atrapalha quem não gosta)
e sobre a razão do povo (se tem razão como pode continuar tendo razão sem mudança?).

O jovem especialista não respondeu todas as perguntas: confessou que era na verdade um especialista jovem.
O gato concluiu que como gato rebelde não apelava tanto quanto um rebelde gato.
Na sua cabeça os embates eram claros e indignos: o povo tinha razão, mas tudo continuava errado.
Ele necessitava impossivelmente de uma impossível mente que lhe abrisse as portas da percepção.
Sozinho falhou: o período (ou seria oração?) de ativação expirou; isto é, o “abra-te césamo” era inútil.

Se a montanha não vai a Maomé,
o povo pode chamá-la de preguiçosa;
mas pode chamar Maomé de psicopata e a montanha de coitada.
Depende da novela.

………………………………Gato enlouquece?

Quem tem coca e água tem tudo:
“O mundo não é tão bonzinho quanto parece”,
disse-me Ronaldo – o careca.
(E como devemos reagir?
Ou melhor, como estamos reagindo?)

[Danilo Crespo, 11/10/11]
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Sede

Se de um lado houver um rabisco
Não fecho os olhos, nem mesmo pisco:
É só silêncio semeado com ira.
Se o outro lado é o que o ferira
Corto solto não posso mais preencher
Os nós atados num desenho de Escher.

A vida
oscila
mais do que um espelho

E o murro
não quebra nada
resta-nos voltar ao labirinto.

De que adianta, rasgar tudo no final
se o que importa é o caminho percorrido.
De que adianta, guardar as flores do mal
se ele não está ao pé do ouvido.

Não adianta planejar o que sinto:
resta-nos voltar ao labirinto.

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O que eu quero te dizer

 

  Errei o tempo da primeira vez que te disse isso.
  Nós estávamos fazendo algo diferente. Porque chegamos a conclusão de que todos os casais eram iguais e a gente nem-casal-ainda não queria seguir o mesmo caminho. Por isso, tiramos a poeira dos patins e fomos andar na praia de São Francisco.
Péssima idéia – não levei meia hora pra cair e me quebrar todo. E você me ajudou a levantar e nós fomos só andando mesmo pelo calçadão. Quando início-de-casal, a sensação é de que tudo que vemos está sob nosso poder e que a vida inteira é muito hedionda, falta mais do nosso afeto nela.
  Ao cansar de andar, uma idéia maluca me ocorreu e eu fui deitar na areia. E você me deu uns muitos beijinhos pra sarar minhas dores, deitou ao meu lado e nós rimos. Rimos tanto que nem percebi quando o dia virou noite. A gente nem ligou para a areia sujando nossas roupas e tudo mais. Na leveza do nosso riso natural acabei falando besteira.
  Não é que você nunca tivesse ouvido, mas acho que você nunca levou ninguém muito a sério. Por causa disso, você esperava num momento especial e eu falei logo, deixei escapar, saiu por entre os dentes e estraguei tudo.
  Também não fiz as coisas como você sonhou. Tirei sua roupa na hora errada, fizemos tudo diferente do que você queria. Nosso primeiro beijo então. Você ficou se perguntando porque não fugiu daquele bêbado, ou “meu deus o que foi que eu fiz?”, eu entendo.
Nessa vida corrida de adultos, é difícil sentir o sossego de nem perceber o mundo girando a mil por hora. Estar debaixo do edredom ajuda, mas mesmo assim é complicado notar aquele seu abraço automático de “quero dormir mais” quando o despertador toca. Quase impossível vivenciar aquela respiração quente no meu pescoço de manhã.
  O que eu mais gosto é da sua reação dorminhoca quando faço cócegas em você na cama. Ao invés de rir, reclamar ou qualquer coisa assim, você se enrosca em mim e me segura forte e eu perco toda vontade de fazer cócegas, de levantar ou de fazer qualquer coisa que não seja só sentir aquilo. Sentir você enroscando em mim, como se fosse uma gatinha.
  Lembro do dia em que acordei na sua casa e nós decidimos que éramos as pessoas mais importantes do mundo. Tão famosos e queridos que é melhor nem sair de casa. Melhor nem sair do quarto, ou até mesmo do edredom. E nesse dia, na melhor quinta-feira da minha vida, a gente simplesmente faz assim, desse jeito, diferente. Eu mal consigo esconder o que quero dizer. No final, eu sempre acabo te falando de novo, de novo e mais uma vez, sem timing nenhum. E você na sua maestria do tempo nem achou o tempo certo de me dizer isso até agora.
  No final daquele dia, você disse que a gente podia fazer o que quiser. Eu rebati que mesmo assim, no máximo eu poderia ser eu mesmo, sempre. Você riu, dizendo:
  - Mas você mesmo é perfeito, só isso, apenas perfeito. Pra mim.
  É aí que eu não sei o que dizer, embora você saiba o que eu estou pensando e isso só acaba com o charme da hora certa de dizer as coisas. Nós nos conhecemos a tão pouco tempo.

  Então guardei esse texto para ver se dessa vez eu acerto. Porque eu não sei quando eu você lerá isso, nem o que fiz ou fizemos para eu enfim te mostrar.
  Se estamos brigados, por favor, me chame de idiota, diga que eu sou o cara mais idiota do mundo e me convide para deitar ao seu lado, no conforto do edredom, matando uma quinta-feira cheia de trabalho outra vez.
  Já cometi erros, aprendi que a palavra dito não tem remoção e que o segredo é saborear ao invés de apressar planos para o fim. O que eu quero te dizer é algo meio sujo de areia, meio dengoso. Eu não sou assim tão contido quanto você e só queria repetir. No tempo certo agora. O que ecoa sem parar dentro de mim:
  Te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo –
  te amo e não quero estragar tudo como faço sempre.

 

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Eu poderia ficar um mês

 

  Eu poderia ficar um mês olhando àquelas paredes. Brancas. Mais brancas que o branco mais branco que eu já tinha visto. Você estava deitado no sofá. Estava triste, jururu. Procedimento padrão, eu diria. Eu também estava.
- Sabe o que a Clarice Lispector disse?
  Eu poderia ficar um ano com os olhos viajando naquele branco. É estranho. Se você quiser pensar em nada, esvaziar a sua mente, o que vem à cabeça é uma tela branca. Mas branco é algo, branco é cor. E o branco daquelas paredes era mais branco que o branco da cabeça.
- Ela disse: “Quando não escrevo parece que estou morta”.
  O preto sim, o preto é a ausência de cores. Mas porque ninguém pensa no preto? Quer dizer, eu não penso. Talvez você também não, né?
- Se soubesse como andam as coisas por aqui, diria lá de cima: “Quando estou morta parece que não escrevo”.
  Uma risada triste, tristinha. Sabe, acho que a gente foge do preto. O preto dá medo. O branco, por mais que seja a luz, é, essa do fim do túnel, é branco, é paz.
- E você pode estar me ignorando, mas o que eu falei faz sentido se você parar pra pensar.
  Eu catei a última coisa da sala e depositei a última caixa em frente a porta. E me virei na direção do sofá, tentei pensar numa tela branca.
- Sabe, parece que ela não escreve, porque ela morreu. Mas ela escreve. Pelos dedos de quem leu Clarice. Tipo, Caio Fernando de Abreu, tipo essas garotinhas letradas.
  Fazia sentido? Não sei se fazia sentido. Sabe, ir embora. Sei lá. A vida ia deixar de ser A vida. Eu já estava de saco cheio. Abri a porta. E olhei para trás. Uma tristeza encoberta pelas costas do sofá – ninguém veio fechar a porta, nem me dar tchau. E eu estava indo.
  Mas olhando àquelas paredes, eu poderia ficar uma vida inteira.

 

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Na linha

 

  Objeto na linha. Há um objeto na linha. Você sabe o que isso significa. É claro, você está no metrô e tem um objeto na linha e você sabe que vai se atrasar, mas não é isso, você sabe disso e sabe o que isso significa, todo mundo sabe. Se não sabe é porque não quer saber.
  E então, você está no metrô e ouve isso e sabe o que é, mas é tudo diferente quando você presencia. Se tiver muita gente, ou se você estiver distraído, passa. Mas se acontecer do seu lado, não passa.
  Geralmente é de forma bastante discreta. Geralmente é uma pessoa discreta. E se você já ouviu “Há um objeto na linha” e pensou no atraso, eu vou te dizer: é mesmo só um atraso para a maioria. Ou “estatística” como as pessoas costumam dizer. Para mim, não foi isso.
  Ele estava vestindo uma camisa. Uma bem normal com uma calça jeans normal, quer dizer, seria: se ele tivesse menos de trinta. Mas ele tinha mais de quarenta e parecia um desses quarentões metido a “jovem”. Tudo bem por mim, não foi por isso que eu estava olhando para ele no momento.
  O cara parecia sério, é claro. E tinha fones de ouvido. Estava ouvindo uma música. Clássica. Não que eu entenda de Música Clássica, mas aquela, aquela eu conhecia. Não sabia dizer o nome, não importa, eu conhecia. Esse era o motivo d’eu não tirar os olhos dele. Nem um segundo.
  Eu estava logo atrás dele. Só a música, só a música lembrava minha mãe, mas nada, nada nele me lembrava ela. Só a música. E ainda assim eu lutava pra encontrar algo, algo dela nele. Só despertei do meu transe quando o som do Metrô começou a ecoar.
  Foi quando o cara pulou. Você sabe, na linha. Havia um objeto na linha. E eu vi tudo. Foi como se aquilo tivesse acontecido comigo. Uma parte do meu corpo foi massacrado e dilacerado. Eu não consegui descobrir que parte, mas nunca esqueci. Nunca esqueci.
  Depois todos subimos no metrô e a vida seguiu. Foi só um atraso. Pensei na minha mãe. Na música. Aquela música. Eu não sabia o nome.
- Eduardo, pára de chorar.
  Ela já tinha limpado a minha ferida e ardeu pra caramba. Depois passou uma pomada na minha testa e falou pra eu ficar deitado no sofá de casa. E eu fiquei lá, nem sentia mais dor e calei a boca com o nariz fungando. Assim, a única coisa que chegava a mim era a música. Só a música, aquela Clássica. E meio que relaxei.
  Depois acordei num susto com meu pai me segurando e minha mãe aplicando uma injeção na minha testa. Era anestesia: ela pegou agulha e linha e suturou o canto cortado da minha testa. Eu nem me lembro se chorei. Só lembro de estar no colo dela, da minha mãe, e ouvir:
- Vai passar, sempre passa.
  Na hora eu acreditei, mas a verdade é que nem tudo passa. A música continua, a música do homem do metrô, a música da minha mãe, aquela mesma música. Enquanto estações ficam pra trás, acho que a música nunca vai passar.
  E eu tento, com todas as minhas forças, andar na linha. Vou a festas de família. Trabalho, ganho salário, compro chocolate, xingo políticos, jogo futebol de vez em quando. Não digo o que eu sinto de verdade às vezes. Ainda assim… Ainda assim eu tenho esses sonhos estranhos. É verdade, eu tento andar na linha, o problema é que a linha é uma corda bamba e o mundo, um vendaval.

 

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C.T.I.

 
A Angústia me amassou.
A Melancolia me bateu.
A Culpa me misturou ao fermento
e fez tudo crescer.

A Mágoa me assou.
A Frustração me cozeu.
A Solidão me botou na geladeira
para congelar e ficar duro.

O Arrependimento me fritou.
A Aflição me refogou.
A Agressividade me grelhou
deixando marcas profundas na carne.

A Ansiedade me gratinou
E depois jogou o queijo ralado.
A Tristeza me serviu
com uma maçã na boca.

E ainda assim,
não estou pronto.
Eles jamais conseguirão
me devorar.

*Culinária Teimosamente Improdutiva

[J.D. Crespo – 07/03/09]
 

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Bebe-se

   
bebi mais um gole
você virou a garrafa
que eu segurava
  

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