ave

uma ave de rapina carrega m
eu coração: ninguém
me ensinou a esquecer. chut
ando pedras pela cidade vaz
ia como se fosse um milagre fic
ar sem causar problemas. faz
endo planos, o presente é pas
sado num piscar de olhos, o te
mpo inteiro. mas uma hora é se
mpre uma hora. daqui a 10 anos,
apenas 10 anos terão passado. o
carrossel gira e sempre está lá n
o mesmo lugar. entre suas garras,
uma ave de rapina ainda car
rega meu coração
e,
desse jeito,
eu viajo o mundo.

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nada (apenas tudo)

estávamos andando sobre as ondas,
ondas de vidro, colinas realmente.
e aquilo era só a gente; eu e você.
andamos até notar o horizonte:
a terra quadrada como um tabuleiro.
só faltavam os antípodas lá embaixo.
na ponta do mundo, miramos o espaço —
o infinito cósmico: o grande vazio,
nada na nossa frente, apenas
tudo. e, na inocência da ignorância,
caí: acabou o equilíbrio do nosso mundo,
éramos um tabuleiro de ondas sólidas
sobre uma pequena bolinha de gude.
no caminho até o chão, tudo ficou claro —
e eu sabia então que a queda iria
estilhaçar o vidro com o impacto
e tornar água todo aquele mar.
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a.v.

Singular

O mundo é um corpo, o corpo é imundo.
Da rebeldia inocente que apenas os animais domésticos são capazes de possuir —
Propriedade: o que os humanos separam de forma bem pouco inteligente.
Legislação: quem faz as leis pensa em si e ajuda quem gosta e atrapalha quem não gosta.
A razão do povo: se tem razão como pode continuar tendo razão sem mudança?
O vômito ao ver pés horrivelmente secos no meio da enchente.