Decolores

de poesia;
de mulheres e o que realmente se passa na cabeça de um poeta;
criam cada mundo próprio,
criam cada sentimento de fora do resto do mundo.

saber a dor
que a agulha num disco do alan parsons project
causa na garganta de um homem sedento
por uma cachaça roxa do maranhão.

que o amor só existe quando estamos bêbados discutindo no bar,
fora de lá não há nada semelhante nem razão;

ver através das brasas dos cigarros
através do sonho acordado
dos olhos de homens com uma maldição
– nós todos.

que não há graça num sutiã intacto
nem na linha reta que se perde na bruma;
saboreiam a noite fria como se fosse gurjão de frango.

transformar um espelho em patíbulo;
o carrasco em amante
e a execução em sangue e mágica.

a única pena suja de tinta
que pinta amor
pinta o amor sujo,
onírico
e rebuscado
do caderno amassado, surrado, esquecido.

nos ternos pretos
vagando pela noite
um poste solitário ilumina
alguns escritores de verdade,

(obrigado).

Coração de carvão


há uma chama me atormentando.
ela ilumina o ponto ao qual eu tenho que chegar,
cega quando tento ver o caminho.
leva embora o oxigênio,
torna o silêncio a borda da mentira e da morte.
o incêndio dos pelos do meu corpo e das peças de roupa proibidas.
um rolo de filme antigo queima deixando frames espalhados
e perdidos em algum lugar.
meus joelhos doem, o ano passa como a faísca de um isqueiro –
a chama me atormenta:
no centro do peito
eu inventei o fogo
mas esqueci de inventar o calor.








Sad giants

We are giants; We move slow; We calculate,
overcalculate—
A close distance of half the earth—
It is hard, we move slow, it is sad, we are sad—
We are exactly where we need to be—
Moving slowly, watching each other with desire,
tenderness—
We are giants, huge giants, bigger than could be—
Our skins have its scars and its cracks and it lacks
hope—
We breathe slowly and slowly die,
We keep on calculating—
We want so badly to kiss,
We want so badly to kiss each other
and still, We are afraid of what our lips may ruin
this time.