O corpo insuficiente

Na boca, percebe-se o corpo insuficiente.
No copo esporadicamente cheio.
Numa tentativa frustrada de preencher o espaço vazio
onde não cabe uma família que desconhece o próprio endereço.
Com uma certa presença inicial adocicada, é fácil intoxicar-se
com a seleção simples do que se quer ver e o que não se quer.
Esse açúcar é aos poucos substituído por uma acidez forte,
é fácil sentir o absurdo queimando voraz a realidade.
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Guardanapo do Café

Rio de Janeiro, fins de novembro…

Surpresa. Memórias. Museu. Cicatrizes. Na coluna. Na nuca.
Ser surpreendido quando sempre se fez surpresas.

Amor líquido
refaço os passos
As memórias são onipresentes
com fantasias diferentes
para cada pessoa.
Som de piano no fundo.
O piano chegou.
Paquetá.

  Tempos depois envelhecemos ou vivemos.
  Diversos trechos, sempre separados, nada ou quase nada de postais. Fui te ver para testar meu poder de sedução e fui pego pela saudade vestida de recordações e minha sedução ficou ínfima perto dos meus sentimentos que transpiraram ao te ver, tão mulher, tão presente. Nada muito diferente do que eu imaginava sobre você, agora também escritora, meio arrogante meio tímida, meio elegante ou corajosa.