dia dos mortos

encher os pulmões não é suficiente.
o ar me preenche e depois vai embora —
como saberei que na hora
quando o coração dispara
o ar virá de novo? e abrir os olhos
não me faz enxergar: eu enxergo
só até onde a vista alcança.
em momentos de dúvida, confusão,
como poderei enxergar além? e
eu ando sobre uma terra que
se transforma/ sob um céu
que está sempre mudando —
mas não chove onde falta água
e a casa de toda gente inunda
e segue com a correnteza:
como viver nessa realidade
em que arremessam alvos em dardos?
meus sapatos estão gastos
mas eu sempre gostei de andar descalço:
pacientemente, as árvores crescem;
pacientemente, planto sementes
da forma que estas sementes
aparecem para mim.
às vezes, até me imagino
com uma mochila nas costas,
prestes a chegar em casa.
como se soubesse onde ela realmente fica.
como se ela ficasse em apenas um lugar.
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One comment

  1. Pedro Lopes · Maio 19, 2016

    Do segundo “pacientemente” até o fim do poema, ele se mostra muito pra mim, muito necessário de ser lido de quando em quando!

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