nunca

de olhos fechados,
eu enxergava
nas pontas dos dedos:
um mundo em ruínas
que se reconstruía
veloz como meus dedos;
templos feitos de cacos
erguiam-se ao toque do indicador—
catedrais desafundavam
até chegarem à luz—
e no silêncio,
a não-lágrima:
eu joguei o maior número
de substâncias e cores
dentro de mim;
para que
nascessem
castelos,
desejos,
um mar —
você pôs seus lábios
sobre os meus
dormir não é o mesmo
que estar de olhos fechados
e a verdade nada tem a ver com beleza:
a resposta veio mais rápida que a hesitação,
no fundo do mar
há escuridão
e peixes,
milhões de peixes
que ninguém comerá:
nunca.
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