Sentimentos Estrangeiros

Uma tribo estrangeira dança
sobre as cinzas de corpos que nunca serão:
nunca serão conhecidos;
nunca serão explicados,
compreendidos,
nem voltarão ao que já foram.

Numa longa carta,
tento passar tudo a limpo.
São palavras antigas, mas
falho em deixar claro o mal entendido,
falho em desculpar-me,
falho em escrever
fora da minha cabeça.

A tribo tem
sangue nos dentes,
terra no rosto,
tinta no corpo
e dançam:
dançam para apaziguar os fantasmas,
para que eles parem de tocar
quem é vivo.

Quando eu vejo o seu fantasma,
espero um abraço – em vão.
Dançar sobre suas cinzas
não traria paz;
seria como dançar
sobre a bandeira
do meu próprio coração.

Tento dormir;
tento fazer silêncio;
tento sorrir e me dizem que é falso.
O fantasma murmura no meu ouvido
segredos terríveis
numa língua que há muito já esqueci.
Tenho que revelar
– é tudo mentira.
Querem de mim a verdade?
Pois ei-la aqui:
Sou um estrangeiro do meu próprio corpo.

Tento acordar.
.
.
.
.
.
.

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