inconstante

as fotografias são leves
o vento as sopra para fora da janela
no frio do inverno que parou no tempo.
o tempo, embora cada dia mais velho,
mantém seu ritmo calmo e violento.
as ondas na praia são certeza
da lua irresoluta.

    tornei-me aquela memória
    indigna de confiança
    que sempre me supus.
    a luz azul está desaparecendo
    aos poucos, ao longe.
    o barulho continua me perseguindo –
    eu tentei ser tudo e não fui nada
    além de um vestígio,
    uma pedra no caminho.

entendendo devagar que
não existe daqui a um ano
nem daqui a dez anos –
meu pra sempre durante
um átomo de tempo.
e já todos perderam a confiança em mim
além de mim mesmo.
não quero cantar o dia nublado
ainda que prefira isto
a reclamar do sol e da chuva.

    você já é muito diferente
    do que eu possa lembrar.
    meu coração aberto rachou-se
    agora estou afogado no fundo do oceano.
    em algum lugar da superfície
    ainda permanece a luz azul
    como um farol de esperança,
    há um lugar para abarcar
    e respirar em segurança,
    vivo.

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