Soneto Preto

Fumaça e espelhos, o mágico faz a pomba aparecer e voar.
Diante dos meus olhos, sei apenas que não é real.
Meu coração tropeça sozinho na mesma canção, no mesmo bar,
porque eu cansei: do que já foi oceano, resta só o sal.

O aroma da grama recém-cortada é o cheiro da aflição da grama.
O agradável é um sofrimento que passa despercebido,
e o problema é gostar de sofrer como quem ama,
sem nem duvidar do que se ouve além do que foi ouvido.

Depois da ventania não-prevista, tudo já arruinado.
O músculo perde-se num labirinto de espelhos,
o passo hesita depois do que ainda não é passado.

Desolado, distante de todo tipo de conselhos,
a mente nos faz crer que não conseguiremos nada mais.
Diante do mágico, sei apenas que nós somos reais.

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