Dois minutinhos

2:00

Ando.
Ando por uma trilha macia.
Isto é um olho, um par de olhos?
Uma testa, um nariz, uma orelha.

Ando sem pressa,
entre colinas e depressões.
Não tenho como me perder,
porque não tenho uma direção certa.
Ainda assim me perco,
e assim me acho.

Um joelho, três dedos do pé,
a mão esquerda, um ombro.
Ando despreocupado,
aprendo o caminho do arrepio:
é um trem-bala que parte do pescoço.
Continuo andando sem rumo,
chegando apenas no desconhecido,
apenas onde desejo chegar.
Sem medo.

1:00

Os carros não se alimentam de ruas calmas.
Um carro por qualquer motivo corre na rua,
o que faz com que os outros carros,
por outros motivos, correrem na rua também,
e é uma teia de carros que se amontoa,
e logo nenhum carro corre mais.

Entre os bocejos das pessoas
dentro dos carros e ônibus,
nasce lenta e preguiçosamente
algo que se enraíza com tranquilidade
sobre algumas intranquilidades
e outros sonos que não foram embora.

A manhã vai estalando os ossos
dos dedos, do pescoço e das costas,
erguendo-se com reminiscências e esperanças.

0:00

Tento me isolar de mim
no seu colo
certo de que assim
me protejo
do que já é peso
e não se dá pra explicar.

Me refugio do mundo
nos seus seios,
deixo um pouco
do sal do meu silêncio
junto das suas águas
tão doces.

No seu enigma,
nos seus braços,
nos seus lábios,
descubro
mais uma vez
aquilo que
eu vou sempre desconhecer.

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