Chama

Os sapatos prenderam-se às caixas, certos das incertezas,
estranhamente confortáveis—
O que é fogo e o que não é confundem-se.
Na disputa entre quem é capaz de carregar
um coração de chagas descobertas, agressivo,
contra o apagar das luzes eu me perdi tantas vezes.
Olhos caem corpo adentro;
os pulmões se contorcem entre outros orgãos;
os rins são malabarizados; o fígado se apóia na barriga;
e o coração vai para o lugar menos íntimo dele.
O corpo cansado é preenchido por via intravenosa de sonhos ruins, lentos,
felizes de tão depressivos.
Dois caminhos desabrocham:
um, levemente conhecido, o outro, falsamente explorado.
O maior erro ou o tempo certo.
A cidade desmoronada ou a reconstrução da fortaleza.
Não consigo me mover. Tenho os olhos rachados de rios vermelhos
loucos para cessarem de existir.

Meu coração permanece no ponto mais estranho possível,
meio coca-light,
meio champagne.

[escrito em 11/08/11,
editado em 14/12/12]

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s