Café da manhã

Nós falávamos demais sobre o futuro: mais dois anos, temo.
E lembro, em todas as ordens, embaralhado: tudo que dói hoje.
Garrafas vazias e outras cheias que nem me interessam mais.
Em algum lugar, drogas que eu não tenho dinheiro para pagar.
Nós ficamos em silêncio, meu sonho ainda é esse: silêncio.
O que antigamente costumava ser com alguém, tornou-se com você.
Mas quem sabe como ou se vai se concretizar? Eu, de todos, nunca sei.
Nem um de nós vai se salvar.

Eu disse que algumas coisas soavam melhor em outra língua
e você me deu a liberdade de usar a língua que eu preferisse.
Entro pelo fim, mas sem a intenção de sair pelo início –
simplesmente porque não tenho intenção nenhuma de sair.
A nostalgia ingrata me come vivo como se fosse um bicho papão –
e eu dormisse de baixo da cama. E eu tivesse cama.
E então dois anos de distância são uma injustiça.
Odeio o minuto que vem depois do suicídio da honra,
um minuto de pura ficção, odeio-o.

Um dia eu te direi algo muito muito importante numa língua só nossa.
(você responderá: Gnomo. E depois rolaremos sobre gordinhos na areia…
Penso no tempo e em falar com você e, Whoa, Nelly, isso não é justo.
Mas oy with the poodles already!)

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