Um campo grande

A bola é fácil mas não há espaço,
é uma sinuca,
sinuca de pilastra.
Tudo que nos impede atrás da gente,
naquela bola fácil,
eu miro como se a mesa da sinuca não fosse
uma mesa, como se
sinuca não fosse um obstáculo;
a mesa é um campo, um campo grande,
onde quem corre
quer algo que não sabe que quer.
O campo estende-se e a tacada já ultrapassa qualquer bar,
qualquer fumaça, desilusão:
quem corre no campo
corre desesperado
querendo algo que não sabe que quer.
A relva noturna entre as garrafas de cerveja vazias
sabe da ave que voa da ponta do taco,
a pomba da paz
limpa
como os copos americanos —
hoje, não.
Na sinuca de pilastra,
minha tacada desajeitada almeja mais que a caçapa
almeja a carne apertada entre os dedos:
bato na bola branca para que ela encontre algo que eu quero
algo que é tão grande
que eu nem sei por onde começar. 

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