Sem título #7

  Os nossos trinta e nove anos de casados a comemorar hoje me permitem admitir que como amante, fui melhor escritora, sem qualquer orgulho. Cartas, minha profissão. Lembro-me da minha devoção silenciosa que possuía com qualquer pedaço de papel que pudesse me aproximar de você, desde o dia em que nos olhamos como desconhecidos. Às vezes, deixava recado na secretária eletrônica lendo uma poesia. Noutras, abria sua agenda em uma data aleatória e fazia um rabisco, meio anônimo, muito meu. E sempre que viajava, mandava um postal. Os recados de ligações, bilhetes para resolver coisas da casa e listas de mercado eram minhas maneiras de declarar meu amor por você.
  Você, que nunca respondeu por escrito, me mostrou a irrelevância de uma folha em branco diante de um bosque que sequoias.

 

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