Revelações

As mãos da fumaça batem palma e abraçam
E a barba espetando apaga-se quando acende,
o absurdo e a coesão do ser,
A barba espeta, o beijo escorre garrafa abaixo,
estilhaça no chão: o genial e o imbecil,
os olhos envoltos de fumaça e cálculo—
Lá além da fumaça, entre os olhos e a nuca
(e não entre a nuca e os olhos):
tem uma guitarra, um cigarro e um caderno,
a depressão desmotivada às vezes,
eu me sinto um fantasma e eu fico triste
e paro de usar adjetivos de julgamento,
caio no mundo que não pode ser bonito,
caio ao contrário, numa nuvem repetida –
a sensação corta o meu barato,
mas dura pouco: a nuvem dispersa
e eu sigo o rumo das palavras em queda livre—
no espaço sideral o peito infla
e sem alguém, sem eu mesmo,
volto a considerar levar toda a gente a sério
e caio mais um pouco no meu corpo bêbado
rapaz, inconseqüente, inconsistente;
devaneio num solo virtuoso e violento
enquanto a fumaça me abraça
e me põe de volta no lugar.

Então, por um segundo eu quero escrever
exatamente o que escrevo e o faço
no fôlego de um adolescente que liga
para uma garota com planos na cabeça.
Sem olhar para trás, coração em metamorfose.

Não me canso de escrever sobre amor.

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