Cidades estranhas

  Flutua o luminoso traço memorial, no mais profundo escuro da calma, escoa agudo numa música natural que toca o cantinho da alma. Brilha bem branco como o branco mais branco e bonito da neve (feita de tecnologia rgb, que ambos lembramos eu e você). A mente metamorfoseia e marcha manca, mas mansa.
  É uma estrada; possui um vazio quase mais leve que a neve, quase mais leve que o nada: um vazio de criança despreocupada. A pele sente um sentimento amplo e o que se vê é um campo, uma bola, uma boneca, um beijo na testa no fim da festa de aniversário.
  Voa a coruja ilusória pra outro lugar, o porém fica porém e também o gosto da memória de agosto que não viveu nenhum rapaz, porque não aconteceu ou ninguém lembra mais.
  Cansado e sem coração, a canção recria o corpo, carrega a pedra no meio do caminho. A estrada se desenrola diante de minhas pupilas. Meus olhos são machucados pela luz incerta e abrem como uma mente aberta. Um carro veloz corta correndo feroz essa mente minha, ou aquela que eu tinha, e vem vindo em minha direção.
  Paralizado, eu não tenho certeza se é um sonho.

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One comment

  1. Pedro Lopes · Maio 17, 2012

    Proesia!

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