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1.

O desespero na busca por algo sólido aplica-lhe um susto;
Num momento de derrota cotidiana, de tudo desacreditado,
ele leu um trecho inócuo e ineficaz, ridiculamente robusto,
mas leu a frase “não tenha medo da imigração” errado!

Seus olhos registraram “não tenha medo da imaginação”;
A enciclopédia onde os sonhos são pintados de burocracias
Deu-lhe algo a que segurar-se com a força da palma da mão
Sem medo da imaginação, não há obstáculo, abrem-se as vias!

O princípio básico ateou fogo ao tédio do sacramento
decerto que o traço de realidade não poderia ser perdido,
mas a sede de luta, a sede de verdade para o pensamento

apenas cresceu, embora mal ele soubesse o erro cometido,
o homem em briga dispôs-se a lutar de punhos apenas
um vôo incontestável que ofuscou as almas pequenas.

2.

Sucesso ou não, a chave valia-se em simplesmente lutar.
A arma pode gerar o triunfo da vitória, mas o arrepio
e a glória que criam-se de forma sublime e salutar
é a sentida na pele e na força de um punho vazio,

no sangue corrente e no grito tão distinto de liberdade.
As lutas seguem, o homem debruça-se na tristeza
e questiona a si mesmo num momento de saudade,
tremendo em temor ao tempo e à própria fraqueza.

Então vai buscar inspiração no momento primeiro
que o libertou das algemas do medo da imaginação,
que fez ele sair com sua convicção, completo, inteiro –

e a ardilosa verdade é maldita e mente em traição.
A enciclopédia dirá para não ter medo de imigrar:
Eis então que a verdade mata o que o erro fez voar.

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