A beleza

A beleza transborda, espalha-se pelo chão
sem cessar de transbordar. Não é a beleza
de um rosto, de um corpo – nem mesmo é a
beleza invisível de uma alma. Essa beleza
desenha poças entre os azulekos tal qual
leite. É perigosa, é uma beleza assim de
momento, de memória e afoga. Inunda os
pulmões e já nem deixa respirar. A beleza
corre sorrateira pela barriga, toma peito,
os braços e pernas. A retina perde suas
funções e a beleza transborda não só pelos
buracos, como também por todos os orifícios.
A cabeça tomada e logo a massa cinzenta
torna-se furta-cor. A beleza intoxica o
sistema reprodutor e se aloja no lixo
mais profundo da percepção – debaixo da
pele, entre carne, osso e realidade.
Quando isso acontece, a beleza pára de
ser bela e fica com cara de passado.
Torna-se caso clínico, estado crítico

O corpo drenado precisa de álcool.
(e é apenas natural que eventualmente a beleza o drene novamente, tenha se recuperado ou não)

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