Tinta

 
Sua mão espalha tinta preta
desviando da briga, da guerra,
e também da folha em branco.
Você está procurando o oposto,
encontrando numa sala escura,
perguntando a si mesmo coisas
óbvias para você e mais ninguém.
Diante do outro você afunda,
têmporas em suor gelado,
não há ninguém ali por você.
Quer dizer a verdade,
quer pôr tudo pra fora,
mas a verdade é sua de mais ninguém,
e você diz a verdade, mas depois ri
da verdade, porque você sabe que
a verdade não é fácil de aceitar.
Eu já vi isso antes,
a mesma coisa se desenrolar
num raiva despreocupante
mas ainda assim destrutiva.

Ele mal te ouve, você acha,
mas ele te ouve, e ouvir é suficiente,
para o lago negro ficar mais fundo.
Eu estou te olhando, pra você,
para o asfalto, e para as cobras
que se escondem na sua cabeça
e, principalmente, na memória virtual.
O que está enterrado lá dentro que une
eu que olho e você que é observado
é que eu faço as críticas e busco liberdade
enquanto você é são o suficiente
para racionalizar tudo e tornar-se normal.
Somos carne, abstração e tinta preta
que manchou o tecido
em camadas inferiores
que nunca mais será removido
de jeito algum, é impossível
e que só cria essas palavras desacertadas
 

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