Noz em nós

 

  Eles sempre me dizem, cada um em separado, confessando, que é o ou a responsável pela separação. Ela me diz que sua inflexibilidade precisa ser tratada o quanto antes, como se estivesse com a resposta para tudo que “não deu certo” nas histórias que viveu. Ele passou a me contar de coisas que fez ou que deixou de fazer pelos outros pelo simples fato de não querer apegar-se, para depois ter de desapegar-se quando voltava pro mar. Ele não abriria nunca mão de velejar. Ela nunca largaria seu violoncelo. Eu me lembro quando criança. Eles brigavam, e ela abraçava o troço. Ele ia andar até a beira da praia. Escurecia e ele voltava com biscoitos da mercearia. Não suporto mais amanteigados. Ela devora até hoje, diariamente, em porções homeopáticas.
  Ela está na montanha, ele está com o vento. Eu sobrei pra contar minhas memórias.

 

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