O homem caído

.

Lá estava ele: caído, bêbado, morto. O ar condicionado estava no máximo. Ele era o homem mais feliz que eu conhecia. Morreu com a garrafa na mão, depois de ter traído a esposa, fumado um baseado comigo e bebido meio garrafa de whisky. Agora, gelado. As pessoas olhavam perpeplexas. Tanta gente conhecia o sujeito. Um verdadeiro companheiro. Levava todos ao mau caminho. Era o mau caminho em pessoa. Dizia que vivia os melhores dias da própria vida todos os dias (só dizia às vezes, quando estava bêbado). Gostava do Duque de Caxias, seu time de coração. Também gostava de filmes de guerra, jogos de tiro, simuladores de vôo. Se divertia como ninguém. Eu podia imaginar a tripulação aflita no rádio: man down, man down. Não lembro do que comia, fazia mais o tipo beberrão. Me salvou a cara, ajudando num problema com hardwares. E agora, era o homem caído, ali, bem no meio. E as pessoas olhando para a barba por fazer, a feição estática e a inércia dele, elas pensam “que vida de merda”. Mas eu não entendo. Ele morreu sorrindo, ele continua sorrindo. É difícil ficar feliz todo dia, mas agora ele está segurando esse sorriso e foi isso que ficou.
.
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s