O Reino de Astaire

 

O cinema não nasceu com som. Isso não é novidade, mas, o que pouca gente sabe é que a música sempre esteve presente no cinema. Desde seu surgimento, em 1895 com os irmãos Lumière, o cinema sempre foi projetado com uma trilha sonora de fundo. O intuito era tornar aquele local escuro e estranho num lugar mais agradável. As músicas eram dessincronizadas e feitas por músicos ali na hora.

Por volta de 1927, o mundo começava a sentir o que viria a ser umas das maiores crises já enfrentadas, a grande depressão. Com isso o cinema começou a perder espectadores e a indústria hollywoodiana precisou planejar uma ação para reverter o quadro. Por isso, foi lançada uma invenção que já vinha sendo pesquisada há anos, filmes com som sincronizado.

"O Cantor de Jazz" em sua estréia.

Assim nasceram os “falados”, tendo como marco inicial o musical “O Cantor de Jazz”, não por acaso já que agora o cinema tinha como trazer para si o poder e os fãs dos espetáculos musicais do Broadway. No filme o que existia de som sincronizado era muito pouco, mas, já foi o suficiente para trazer alívio aos magnatas hollywoodianos. O casamento entre as peças musicais e o cinema foi perfeito. O público lotava as salas de cinema, a fim de ver aquela narrativa que quebrava com o real e o obvio. Naqueles filmes tudo era como um sonho. Porém, alguns anos depois, graças à guerra o cinema entrou em crise de novo e mais uma vez Hollywood soube como enfrentar um período turbulento. Desta vez a estratégia foi se guardar, passando apenas os jornais cinematográficos e os filmes que eram estrategicamente a favor da guerra, para que depois dos conflitos pudesse investir naquilo que estava gerando mais lucro: as grandes produções musicais.

Fred Astaire.

Então no período após segunda Guerra Mundial inicia-se a “Era de Ouro” do musical hollywoodiano, e grandes astros se fizeram nesse gênero, como o grande Fred Astaire (1899-1987) considerado por muitos o maior dançarino de todos os tempos. Grandes clássicos da sétima arte foram produzidos, tais como “Cantando na Chuva”(1952), “Amor, Sublime Amor!”(1961), “Gigi”(1958), ”A Noviça Rebelde”(1965) e “Mary Poppins”(1964).

I'm happy again!

Porem a década de 60 não só produziu os maiores musicais, mas também mudou a sociedade. Uma serie de movimentos estudantis, feministas e culturais jorravam revoluções. Então nasceu a “Nova Hollywood” e a narrativa dos musicais já não fazia mais sucesso. Era a vez das produções dos cineastas vindos das universidades como, George Lucas, Steven Spielberg e Francis Ford Copolla. Foi o tempo de “Guerra nas Estrelas”, “Tubarão”, etc. Os musicais foram perdendo espaço até chegarem ao fundo do poço na década de 90.

Em 2001, quando os musicais ainda estavam em baixa e não eram levados a sério pelos grandes produtores foi lançado um longa que os recolocou na lista dos gêneros mais lucrativos do cinema. “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” o filme que contava a história de amor entre um jovem poeta e uma cortesã. Ambientado no ano de 1899, “Moulin Rouge” foi sucesso de público e critica chegando a ganhar 2 oscar’s, assim, reabrindo caminho para as grandes produções musicas – como “Chicago” (2002), “Os Produtores” (2005), “Dreamgirls” (2006), “Hairspray” (2007) e “Mamma Mia!” (2008).

Moulin Rouge

Em particular um grande estúdio americano lucrou bastante com a volta do gênero musical, a Walt Disney que lançou as franquias voltadas para o público infantil “High School Musical” e “Hannah Montana”. A trilha sonora de “High School Musical” vendeu mais de 15 milhões de cópias e ganharam o premio da Billboard, como melhor álbum de trilha sonora.

High School Musical

Depois desses fenômenos de bilheteria e de vendas o cinema voltou a contar com uma arma poderosa que encanta, diverte e gerar muito lucro. O cinema dos sonhos, os filmes musicais.


Astaire em ação.
 

 

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