Nuvens

 

  O Sempre e a Nunca Mais fizeram as pazes, deram-se as mãos e saíram voando. Sempre e Nunca Mais são coisas tão antagônicas que paradoxalmente vivem juntas, no mesmo lugar, o vácuo.
  O dia estava lindo e haviam poucas nuvens, mais ou menos assim, o suficiente para estimular a meditação dominical. A semana tinha sido pesada e as brigas não existiram, foi só silêncio e remorso das catarses do verão passado.
  Meditar é não pensar em nada, dizem. Meditar, é pensar em tudo, penso! Principalmente quando a gente faz um esforço tremendo para não pensar nas coisas que mais se repetem quando a gente está nesse conflito pensa-não-pensa-nãopodepensar-játôpensando-merda-respira. Pensar e não pensar estão na limiaridade, como todos os nossos atos, reformulando a conclusão. Redundâncias!
  Eu lembrei do passado. É o que faço quando deito de barriga pra cima na pedra. Eu lembrei das conversas, das agonias.
Uma andorinha ousada fez-me o rasante. Um convite. Sorri e aceitei. Ao abrir os olhos, confirmou-se o que eu já ouvia: era um bando delas, a me carregar pras nuvens dali.
  O vácuo é aquele armário que a gente põe as tralhas que estão atrapalhando em determinados momentos da vida. Às vezes, até a gente se esconde lá, noutras, guardamos as pessoas. É um armário sem fundo, onde o Sempre e a Nunca mais foram, agora mesmo, namorar (escondidos) um pouquinho.

 

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One comment

  1. Dos Sonhos · Abril 28, 2010

    O Nunca Mais e o Sempre: tão longe, mas separados por pouca coisa, por um quase nada.

    Belas nuvens, sra. Sö.

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