O coração do labirinto

Havia apenas uma vela no meio da mesa, uma simples vela já nos seus últimos momentos. Também a brasa do cigarro acendia do meio da escuridão. A garota tentou fazer aros de fumaça. Tentou ignorar o que ele a dissera há pouco. O silêncio negro pairou no ar por algum tempo. Ela levantou e apagou o cigarro no cinzeiro com raiva. Um sopro dela e aquela cozinha ficou escondida do mundo e do resto do mundo; todas as direções pareciam ser uma só: davam no corpo do minotauro, no coração do labirinto. O silêncio da falta de luz era o único caminho a ser trilhado, antes fora uma estrada de chão espaçosa, agora tornara-se um piso asfaltado, estreito e quente em que era impossível andar lado a lado ou deitar-se para uma soneca.
   A voz tremeu, o escuro berrou, a noite gelou — e agora, José? e agora, nós dois?

 

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