As Marcas dos seus Dentes no meu Braço/4

  A princípio eu cheguei até ela. Depois, quem chegou até mim foi ela… Um olho tentando ver lógica nas coisas que acontecem, mas é tudo uma dança louca mesmo. Louca como ela me disse que era, louca como ela me mostrou que é. Essas loucuras.
Às vezes você pensa nas coisas que aprendeu e fica feliz. Às vezes eu penso que aprendi bem aprendido e a prática é só mais aprendizado. Às vezes parece que a prática não existe. Não gosto disso.
Tentei me afastar, mas você me puxou de volta pra debaixo do seu cobertor.
E então, me mordeu. Uma garrafa de cerveja e você, a gente, ficava filosofando sobre a marca dos seus dentes no meu braço. A gente ria. E falava de profundidade. De destino. E de como nossos destinos estavam profundamente traçados. Entrelaçados. Assim como nossos corpos.
Às vezes eu pensei em amor. Na maioria das vezes suprimi o pensamento. Acho que você nunca tocou no assunto também.
Eu resolvi perguntar uma coisa, minha timidez ficou pra trás, junto com nossas roupas.
– Por que eu?
– Mas você é lindo.
– Não, eu quis dizer… O casamento, ele não é pra sempre?
– É mais ou menos pra sempre, querido.
– Como assim?
– Vai fazer parte de mim pra sempre, se acabar eu sou divorciada ou viúva, sabe, continuo marcada pelo casamento…
Eu me sentei na cama.
Às vezes você pensa que poderia ter tudo. Às vezes eu só quero fazer sol no dia chuvoso de alguém. Às vezes você fica triste, às vezes ela me deixa triste. Na maioria das vezes, eu nem sei dizer.
Às vezes, deitado, parece que não tenho motivo pra levantar. E às vezes, deitado, mil coisas pra fazer, nem quero levantar. Olho para o lado. Na maioria das vezes, os caminhos que escolho dão em ruas sem saída.
Às vezes não digo se algo dentro de mim diz. Às vezes a gente fica nervoso e diz o que não devia, mas ela sempre me fez pular esses momentos. Sabe, ela tem muito disso, deixa as coisas ruins pro marido.
Sentado na cama, eu percebi que às vezes você não precisa fazer algo, só sentir. Ela dormia. Lembrei de uma vez em que perguntei à ela:
– E se acabar de repente?
– Guarde o amor consigo.
Só sentir.  Por mais que tenha sido um bom tempo e eu ainda tenha seus as marcas dos seus dentes no meu braço, não sei dizer qual foi a sua reação ao acordar e se deparar com o bilhete:

Fui
mais ou menos
pra sempre.

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