Uma outra versão daquele jogo (dos espíritos)

 
os semáforos são uma garota sozinha
e eu digo para ligarem para minha familia
digam para me procurar outro dia,
eu me perdi hoje

eu sempre achei que se eu te segurasse direito…

partir um coração não é difícil afinal,
quero destruir o lugar
você tenta dizer alguma coisa para ela
sério, sua função será essa a partir de agora
para andar no meio dessa guerra
fico me escondendo nas luzes das cidades grandes

que o seu olhar seja mais forte que sua voz,
não importa,
tento partir seu coração,
o movimento das mãos pequenas
me enche de raiva e
as memórias torcem e distorcem
quero segurar sua mão num clichê apocalípitico
sinto isso sempre que vejo seu rosto
com ecos que pertencem
a um aquário maior do que deveria ser

vamos fingir que nos conhecemos ontem
você precisa saber

porque a verdade é um olho confuso
quero deslizar por esses olhos castanhos
sonhando

ou então só deixar pra lá
eu não consigo explicar
é, eu estou perdido
eu troquei tantas vezes as peças de lugar
que elas terminaram justamente no mesmo lugar

Sobre Danilo Crespo

Inúmeros eus que voam através das palavras e, como pássaros que são, logo seguem seus próprios rumos e sonhos.
Esta entrada foi publicada em Doce Declínio, Poesia. ligação permanente.

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